História


     Praticidade, estudo, objetividade e excelência foram os ingredientes utilizados pelo criador Julio Raphael de Aragão Bozano desde os primeiros dias do Haras Santa Maria de Araras.  O nome nasceu da junção da Fazenda Santa Maria, adquirida em 1965 na localidade fluminense de Araras, e se transformou em Haras Santa Maria de Araras, que anos mais tarde se tornaria o mais importante centro criatório do Brasil em cavalos Puro Sangue Inglês.

     Em Araras iniciou a criação que marcaria para sempre o turfe brasileiro. Foram levados os produtos ao pé Avatar e Ático respectivamente das éguas Fervena e Andaluzia, sem sucesso nas pistas. No ano seguinte, nascia Barbarela, filha de Rieck e Andaluzia, sendo o primeiro produto registrado pela criação Haras Santa Maria de Araras, mas que infelizmente não chegou a competir.
     Como o criador admite, são através dos erros, que os acertos chegam. Em 1968 a história começou a tomar novos rumos. Caramelo (Codajaz e Palestina) e a importada no ventre Cat Nap (March Past e Oboé II) nasceram com o selo Araras de criação. A fêmea fez apenas uma apresentação, vencendo por vários corpos e tornando-se um dos ventres primordiais do Haras . Caramelo  conseguiu obter a primeira colocação clássica para a coudelaria em seus dois anos de existência.
     Da geração de 1969 nasceu David (Codajaz e Palestina), com colocações clássicas, e Tozano (Hudson e Charlette), que veio ao pé e ganhou nove corridas no Hipódromo da Gávea. A Geração de 1971, com apenas nove produtos (sete nascimentos e dois produtos ao pé), que nasceu o primeiro campeão clássico da história do haras: FREDDY BOY.
     O filho de Reddy Boy e Maba (Mourne) venceu a primeira versão da Taça de Ouro (G1-2000mG) no Hipódromo da Gávea e além dele também fizeram parte da Geração 1971: Rondina (venceu uma seletiva para a Taça de Prata paulista) e os campeões Futrika, Festus, Fiore, Felicitá e Rimus.

     Com o sucesso obtido em Araras, foi decidido transferir e ampliar a criação em Teresópolis. A aquisição do garanhão SABINUS marcou a ‘idade moderna’ da coudelaria neste novo local, visto que o cavalo aproveitou ventres selecionados e de grande qualidade sanguínea. A Geração 1973 na nova instalação apresentou a campeã HULLA HOOP, vencedora de provas de Grupo 2 no Rio de Janeiro.

Também em Teresópolis foi instalado um Centro de Treinamento, auxiliando na preparação dos animais, o que ajudou ainda mais a se obter uma série de vencedores clássicos como: Horobiov, Jolie Reine, Kamm e Kubrick.
     A Geração 1977, letra L, mostrou o acerto entre o Centro de Treinamento e a excelência da criação, tornando o ano de 1980 um divisor de águas graças aos campeões clássicos Latino (G1 e L.), Leonino (G2), Luksor (G3), Lindos Ojos (L.) e La Divina (L.). A destacar que em 1977 Sabinus ganhou a estatística de garanhão.

     Com objetivos de criar a nível internacional, o criador adquiriu uma área de terra na Argentina e importou éguas dos Estados Unidos. O País vizinho fazia o intercâmbio de sangues, manejo e técnica para fortalecer a criação tanto lá quanto no Brasil. O garanhão argentino Vacilante II foi trazido para Teresópolis através deste intercâmbio, dando consistência à criação Araras e repetindo o cruzamento vitorioso empregado por Marcel Boussac entre fêmeas de Pharis com garanhões de sangue Tourbillon.

 

     TROYANOS, filho de Vacilante II e Lady Pat (Sabinus), foi o resultado perfeito de Marcel Boussac a nível Brasil e só poderia ter acontecido no Haras Santa Maria de Araras. Em campanha, o cavalo venceu 10 em 12 corridas, obtendo importantes êxitos em G1, G2 e G3, dentre eles o Derby Paulista de 1988 e os GP’ Brasil e São Paulo de 1989.
     Atento ao mercado, o Haras associou-se a outros haras nacionais para aquisição do francês Ghadeer. Dos 136 filhos ganhadores clássicos do garanhão, 26 foram criados no Haras Santa Maria de Araras, tendo logo na primeira geração a "champion" SO BEAUTY.
     Ainda na década de 80, observando o sucesso do turfe norte-americano, havia chegado o momento de buscar um garanhão que produzisse animais adaptados à velocidade, menores distâncias e precocidade. Present The Colors, campeão de três corridas, sendo uma delas em recorde, foi o escolhido e trazido direto para a nova instalação do Haras Santa Maria de Araras, em São José dos Pinhais, no Paraná em 1983. Os resultados foram obtidos com as gerações das letras S, T, U, V, A, C e F.
     Obedecendo as regras do grande hipologo Federico Tésio, o Haras Santa Maria de Araras passou a criar em seu novo haras localizado em Bagé, no Rio Grande do Sul, e recriar no Paraná, em São José dos Pinhais. Dessa forma, os êxitos não pararam de surgir para as cores vermelha, azul e branca, sendo o único haras do Brasil a criar mais de 226 cavalos ganhadores  de provas graduadas no País.